Ócio criativo
30/12/2008. Ninguém afim de trabalhar na Aorta e resolvemos fazer um esforço concentrado para completarmos uma lista que já estávamos fazendo há um bom tempo. É a “Nova Proposta de Classificação Musical”. Claro, é um work in progress (ou, caetanizando, obra em progresso) e vocês podem sugerir novos artistas, tópicos ou o que quiserem. Enjoyem!
Alimentos
Damien Rice
Red Hot Chilli Peppers
Pearl Jam
Cláudia Leitte
Blind Melon
Cake
Cafe Tacuba
Infected Mushroom
Meat Loaf
Smashing Pumpkins
Secos & Molhados
Mastruz com Leite
Wheat
Mudhoney
Korn
Flying Burrito Brothers
Farofa Carioca
Peaches
Cranberries
Lemonheads
Cream
Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens
Sugarcubes
Toranja
Doces Bárbaros
Fiona Apple
Chiclete com Banana
Vegetais em Geral
Mamonas Assassinas
The Coral
Banda Vitória Régia
Herva Doce
Beth Carvalho
Leila Pinheiro
João Nogueira
História
Cold War Kids
Franz Ferdinand
Napalm Death
Manowar
Lenine
Barão Vermelho
Minerais
Iron Maiden
Mettalica
Neil Diamond
Silversun Pickups
Golden Boys
Santa Esmeralda
Silverchair
Rolling Stones
Stone Temple Pilots
Queens of The Stone Age
Época de Ouro
Natureza
Earth, Wind and Fire
Lauryn Hill
Emerson, Lake and Palmer
Black Mountain
The Fall
Silversun Pickups
Beach Boys
Toni Tornado
Cloud Room
Marcos Valle
Oasis
Vanessa da Mata
Cypress Hill
Air
The Avalanches
Demônios da Garoa
Lightning Bolt
Céu
Snow Patrol
Marisa Monte
Justin Timberlake
Hot Hot Heat
Johnny Rivers
Gêneros Musicais
Blues Travellers
Iggy Pop
Kid Rock
Celso Blues Boy
Funk Como Le Gusta
Zeca Pagodinho
Terra Samba
Aviões do Forró
Estados Brasileiros
Ney Matogrosso
Banda Black Rio
Novos Baianos
Lugares
Drugstore
Amy Winehouse
Fernanda Porto
Cornershop
Fundo de Quintal
Entorpecentes
Skank
Planet Hemp
Supergrass
Yerba Buena
Cowboy Junkies
Acabou la Tequila
Cartoon Network
Jessica Simpson
Charlie Brown Jr.
J. Quest
Ultramen
Tianastácia
Gothan Project
Buffallo Springfield
Afirmativas
Yes
Ok Go
Yeah! Yeah! Yeahs!
Clap Your Hands Say Yeah
Cores
Pink
Pink Floyd
Red Hot Chilli Peppers
White Stripes
Al Green
James Brown
Deep Purple
Barão Vermelho
Yellow Card
Rouge
White Zombie
Living Colour
Green Day
Noel Rosa
Simply Red
David Grey
Paulinho Pedra Azul
Preta Gil
Orange Juice
Barry White
Branco Mello
Samuel Rosa
Black
Raça Negra
Só Preto Sem Preconceito
Black Crowes
Black Label Society
Black Lips
Black Mountain
Black Rebel Motorcycle Club
Civilization
Tim Maia
Arthur Maia
Aztec Camera
Família Real
B.B. King
Queen
Prince
Queens of the Stone Age
Kings of Leon
Inimigos do Rei
Gérson King Combo
Nando Reis
Nomes de presidentes
Dead Kennedys
The Nixons
Bush
Compadre Washington
Lasciva Lula
Jefferson Airplane
Presidents of USA
Aretha Franklin
Genitália
Pussycat Dolls
Butthole Surfers
Dick Dale
Buzzcocks
Mundo Animal
The Animals
Phish
Arctic Monkeys
Danger Mouse
Temple of The Dog
Cat Stevens
Hootie and the Blowfish
Black Crowes
Eagles
The Byrds
Buffalo Springfield
Rynocerose
Fleet Foxes
Kings of Leon
T.Rex
Dinosaur Jr.
Pigeon Detectives
Modest Mouse
Wolf Parade
Monkees
Lobão
Chitãozinho & Xororó
Band of Horses
Whitesnake
The Doves
Eagle Eye Cherry
Nara Leão
Frightened Rabbit
Cat Power
Little Dragon
The Turtles
Marcelo Camelo
Pantera
Pet Shop Boys
João Penca e os Miquinhos Amestrados
Cachorro Grande
Falcão
Asa de Águia
Edu Lobo
Super Furry Animal
Pato Fu
Os Cobras
Charlie Parker, Bird
Bezerra da Silva
Los Lobos
MC Sapão
Ratos de Porão
Flora
Stone Roses
Guns and Roses
Rosa Passos
Lily Allen
Noel Rosa
Samuel Rosa
Insetos & Afins
The Beatles
Kid Abelha
Scorpions
Paulinho Moska
As Quatro Estações
Johnny Winters
Donna Summer
Bruce Springsteen
The Fall
Continental
America
Asia
Europe
Afrika Bambaata
We Are Family
Twisted Sisters
Jonas Brothers
The Mamas and The Papas
Fat Family
Los Hermanos
Sly And The Family Stone
Família Lima
Jungle Brothers
Feelings
Love
Tears for Fears
Do Amor
Joy Division
Little Joy
Trio Ternura
Happy Mondays
The Thrills
Do Espírito
Dio
Deus
Madredeus
Catedral
Young Gods
Jesus and Mary Chain
Nove Mil Anjos
Faith No More
Judas Priest
Renaiscense
Smokey Robinson & The Miracles
Sisters of Mercy
Madonna
Heaven
Mercyful Fate
Manic Street Preachers
Jesus Jones
Spiritualized
Anjos do Inferno
Soul Asylum
Bad Religion
The Cult
Clementina de Jesus
Nirvana
The Bishops
Moacir Santos
Genesis
Grateful Dead
Angélica
Sagrado Coração da Terra
Tribo de Jah
Música
Luiz Melodia
The Coral
Família Dó Ré Mi
Paulinho da Viola
Jackson do Pandeiro
Les Paul
Jacob do Bandolim
Oceanos
Dorsal Atlântica
Pacífico Mascarenhas
Medicina
Spin Doctors
The Cure
The Strokes
We Are Scientists
The Germs
Dr. Dre
Dr. Silvana
Placebo
Números
Magic Numbers
Zero7
U2
US3
Jackson Five
Gang of Four
Eletric Six
L7
Nine Inch Nails
Ten Years After
Maroon 5
Matchbox 20
13th Floor Elevators
10000 Maniacs
50 Cent
2Pac Shakur
Finger Eleven
UB40
CPM 22
Gang 90
Pavilhão 9
Militar
Nelson Sargento
Kaiser Chiefs
Moving
Metrô
I like trains
Rádio Táxi
The Subways
Bonde do Tigrão
The Cars
Jefferson Airplane
Led Zeppelin
Coisas
Spoon
Juca Chaves
Scissor Sisters
Bidê ou Balde
Can
Tool
Television
The Doors
Alicia Keys
Cartola
Autoramas
TV on the Radio
LCD Soundsystem
Móveis Coloniais de Acaju
Alexandre Pires
Kid Vinil
Cidades
Sidney Magal
New York Dolls
Paris Hilton
London Beat
Beirut
Hanoi Hanoi
Chicago
Boston
Banda Black Rio
Miami Sound Machine
Buffallo Springfield
Fafá de Belém
Architeture in Helsinki
Nei Lisboa
Nazareth
Bairros
The Ipanemas
Copacabana Beat
Países
Chico Buarque de Hollanda
Beto Jamaica
Henrique Portugal
Oswaldo Montenegro
O Corpo Humano
Heart
Faces
Flaming Lips
Eagle Eye Cherry
Finger Eleven
Radiohead
Portishead
Talking Heads
Mano Negra
Smash Mouth
Bad Nose
Third Eye Blind
Claudinho e Bochecha
Profissionais
Dr. Dre
Engenheiros do Hawai
Men at Work
Mike & The Mechanics
Dr. Silvana
Spin Doctors
Architeture in Helsinki
The Carpenters
Zeca Baleiro
Agrupamentos sociais
Legião Urbana
Plebe Rude
Nenhum de Nós
Siglas
EMF
REM
RPM
B2K
CPM-22
2008/2009
Hora de fazer a retrospectiva? Nada. Desta vez vai ser tudo diferente.
O ano mais corrido da minha vida (parece que ontem foi janeiro) não poderia terminar de forma diferente. Nada de posts quilométricos, dizendo mês a mês o que aconteceu no mundo, na cultura e nas internas.
Vale apenas dizer que 2008 foi semi-foda (umas coisinhas chatas apenas) e que 2009 vai ser muito mais. Disso eu tenho certeza.
Vamos lá comemorar, bebemorar porque todos merecemos!
Até o ano que vem.
O feriadão, até agora
Tempo de reflexão, tempo de rever os planos, tempo de blá blá blá.
Aqui, como todos os anos, Natal é tempo de colocar a vida cultural em dia. Some-se a isto um fim de ano chuvoso em Belo Horizonte e o resultado é uma total imersão em livros, música e, principalmente, filmes e séries. Vamos ao balanço da última parte, até agora:
1. Cadillac Records. A história da Chess Records e de seus fundadores, Leo Chess e Muddy Waters. Entre muitas histórias de álcool, duelos musicais e talentos subestimados, ótimas performances de Mos Def (Chuck Berry) e Beyoncé (Etta James) para ficarmos em apenas duas. De quebra, fui procurar uma espécie de coletânea da gravadora e encontrei isto. Ítem obrigatório para quem gosta de boa música.

2. JCVD. Um filme bizarro. Jean Claude Van Damme interpreta ele mesmo, Jean Claude Van Damme. Um ator decadente que volta para sua terra natal, em busca de novas oportunidades na carreira. Lá chegando, se envolve em um mal entendido, sendo tomado como um ladrão de uma loja dos correios. Se não por toda esta bizarrice, já valeria por um monólogo dramático do próprio Van Damme, mostrando toda sua capacidade dramática. Sim, você leu isso. Um monólogo de Van Damme. Está esperando o que para baixar?

3. Mad Men – segunda temporada. Se não é a melhor série dramática da atualidade, rivaliza com outras poucas (True Blood, talvez). Se na primeira temporada fomos apresentados a Don Draper, sua família e o cotidiano da agência de publicidade Sterling Cooper, onde ele ocupa o cargo de diretor de criação, na segunda temporada assistimos a uma espécie de desconstrução disto tudo. Sua família, a agência e o mundo que o circunda. De quebra, vemos alguns dos personagens secundários indo para caminhos bastante interessantes, como a ambiciosa Peggy Olsen (Elizabeth Moss), a deliciosa Joan Holloway (Christina Hendricks) e, principalmente, a esposa de Draper, Betty (January Jones). De quebra, o casal central, Don e Betty Draper, são dois dos personagens mais ricos já vistos na tv. Some-se a tudo isto as intepretações magistrais de Jones e Jon Hamm e temos uma série imperdível. Vi os treze episódios quase que de uma sentada e mal posso esperar pela terceira temporada.

Mortes do Natal
Tem sempre gente graúda morrendo no Natal, já repararam? Será o medo do bom velhinho?
Desta vez foram Harold Pinter e Eartha Kitt.
Então é Natal
Não se preocupem, não vou cantar a música da Simone.
Este ano não mandei cartões de natal, não comprei presentes e mal desejei Feliz Natal para as pessoas.
Nunca tive um Natal tão corrido. Não entrei no clima natalino em nenhum momento e acho que vou passar batido no clima.
Mas, enfim, como é Natal e não tem com fugir, comerei o peru hoje à noite (opa!), almoçarei amanhã e dormirei muito nestes próximos dias para compensar o que não dormi nas últimas semanas.
E antes que me chamem de mau humorado, tenho apenas mais uma coisa a dizer: odeio os últimos 15 dias de dezembro. Ok. Podem me chamar agora.
Fiquei aí então com um belo cântico natalino:
Aleluia
Leonard Cohen emplacou a mesma música na parada de sucessos britânica três vezes. Em primeiro lugar, com Alexandra Burke, em segundo com Jeff Buckley – graças aos fãs buckleyanos que fizeram campanha na internet para que a música subisse nas paradas – e em 36º com o próprio Cohen.
Já que o Natal está aí, nada mais justo e apropriado.
Aliás, com exceção da versão da Burke, recomendo veementemente ouvir as outras duas. Principalmente a de Buckley, que o próprio Cohen diz que é a versão definitiva de sua música.
Astral Weeks ao vivo
Van Morrison tocou seu clássico na íntegra em dois shows em Los Angeles, no mês de novembro.
Agora, graças aos bons deuses da músicas, ele resolveu lançar em disco.
Mas, enquanto isso, você pode ver (e ouvir) uma amostra do que foram estas apresentações:
Amy Winehouse de topless
Tenho certeza que o número de acessos deste blog vai bombar agora. Mas por um bom motivo.
Era o que faltava, não acham? Amy+nua+na+praia+pagando+peitinho.
Vamos à foto, para quem ainda não acredita que isso aconteceu.

Twilight
E então eu fui ver o filme-sensação da temporada, “Crepúsculo”, ou “Twilight”, baseado em livro da Stephanie Meyer, que eu não sabia que era um fenômeno.
Sim, o filme é adolescente, centrado numa história de amor entre uma garota e um vampiro, tem trilha sonora com bandas de rock e tudo mais necessário para bombar nas bilheterias. E bombou.
Mas sabe o que mais? Eu curti pra caramba! É imprescindível assistir a esse filme em uma sessão lotada de adolescentes com os hormônios pululando, que suspiram, gritam e ovulam muito quando o vampirão dá o primeiro beijo na frágil Bella.
É cinemão, é hollywood, é bem feito. E eu gosto. E se você tem preconceito com sessões de cinema lotadas, gritarias, pipoca e tudo o que isto env0lve, só posso lamentar. Cinema também é assim.

Little Joy na KCRW
Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro se apresentaram no melhor programa de rádio do mundo (na minha opinião, é claro). Você ouve aqui.
E quando foi que Nic Harcourt saiu da rádio e do programa???? Fiquei um pouco órfão.
O novo indie
O Lúcio, que muita gente ama e muita gente odeia, fez um texto sensacional, identificando os novos tipos de indie que existem por aí. Confesso que dei muitas gargalhadas e vi direitinho quem se encaixa em cada uma das categorias. Vale a pena reproduzir aqui:
QUE TIPO DE INDIE É VOCÊ?
Teve uma época, não faz muito tempo, que o indie era um ser bizarro, esquisito, de gostos estranhos, mas ainda assim um ser etéreo, que alguns até sabiam que existia, mas nunca tinham visto um. Ninguém, a não ser a turminha próxima, o conhecia e reconhecia como tal. Tempos depois, há uns quatro/cinco anos, o indie foi parar até na “Veja” (acho que a SP), que fez um daqueles toscos e estúpidos “o que é”, apontando o que vestia, calçava, quantos bottons precisava usar, onde ia, o que comia. O ser indie passava a ser real, ganhava uma cara perante as pessoas “normais”.
Hoje em dia, populoso e multiforme, tipo um monstrinho de vários tentáculos, nem eu entendo mais exatamente “o que é” o indie.
A cada ano que tem passado ele me impressiona. Sempre gostei do papo indie x mainstream e de perder tempo com isso. Só que hoje temos tantas vertentes para botar na roda que a discussão fica muito mais interessante. Sou só eu ou vocês também acham que em 2008 o indie NÃO morreu (como se previa)? É impressão minha ou ele passou por umas metamorfoses estranhas e…
Bom, sem querer abusar da manjada pauta antropológica “tribos”, mas já abusando, o “conselho Popload” listou aqui toscamente alguns do vários tentáculos indies que surgiram e/ou se fortaleceram neste ano. Você deve se encaixar em um deles. Ou não. Mas avisa aí qual é a sua para eu atualizar a lista. E claro, estamos de olho em 2009 para ver onde tudo isso vai dar:
* o indie-fenômeno: do tipo Mallu Magalhães. Não preciso nem resumir a história, essa você já cansou de ler. Quem será o indie-fenômeno nacional de 2009? A sua sobrinha de 6 anos? Ou vai ser aquela banda que acabou de se formar via Facebook, postou os links do MySpace no twitter e daí…
* o indie-folk: é só checar qualquer lista de melhores do ano e o neo-folk vai estar lá. O cara indie-folk é intelectual. Acha que festa em clubinho não está com nada. O que pega mesmo são as festas nas casas, com a turminha, (pouca) cerveja, (pouco) ‘clima de paquera’ e muita música. Além do novíssimo folk dos Fleet Foxes, ele também curte um indie-clássico (Pavement no máááximo), algumas obscuridades da MPB e barulhos experimentais e matemáticos. Tem um violão, escreve melodias e tem uma banda folk, mas também um projeto solo. Curte o visual lenhador: barba e camisa xadrez. Freqüenta as casas dos amigos e a festa quinzenal Folk This Town, no Bar B (Santa Cecília). Olha só o release da festa: “A Folk This Town abre espaço para os violões, sussurros e um clima mais intimista – nada de “pista fervendo”, o negócio é gente sentada, boa companhia e ótimo som.” Este sábado é a sua grande chance de engrossar o movimento. A turma indie-folk se apresenta na ótima festa La Pastie de la Bourgeoisie (detalhes acima)
* o indie-de-boa: aquele que tanto faz como tanto fez. Pode ser um cantor folk de quem ele nunca ouviu falar, uma banda qualquer de Pernambuco ou um trio sueco. Ele está em todas. Quer conhecer coisas diferentes e está aberto a novidades. Freqüenta o Studio SP, escuta a Oi FM e de dia veste a roupa de firma, mas à noite tira o All Star do armário.
* o indie-Global: é o fã da “banda da Capitu” (Beirut, para os íntimos). Ou da “banda do assobio da novela” (coitados dos Peter Bjorn & John). O indie que não sabia que era indie até ficar fissurado pela trilha do “Grey’s Anatomy”. Digamos que esse tipo de indie global, democrático e das massas, por assim dizer, chegou onde não se podia sonhar. Dos bombados seriados de TV internacionais, a reality shows culinários, passando pelas novelas globais, novelas não globais, trilha do “Fantástico”, comerciais e games.
* o indie-do-indie: de todas as “tribos” (ops, escapou) do indie, talvez a mais antiga delas seja a dos indie-do-indie, ou, os indie xiitas. E talvez seja também a mais confusa. Não querem ficar famosos, não querem reconhecimento, não querem virar capa de revista, não querem entrar em nenhuma lista de ”Melhores do Ano” e muito menos ganharem resenha no Pitchfork. Pense na festa Albatroz do Milo, na noite da Peligro no Neu e na Festa Mágica da Livraria da Esquina. Nada de música para cantarolar, ou aquela que você ouviu na rádio, ou aquele remix bombado… Nem pense em pedir Kings of Leon, por exemplo. E, se chamar o lugar de “baladinha rock”, não entra.
* o indie-contestador: adora reclamar. Acha que sua missão na Terra é exterminar o lado negro da força: o HYPE. Tal banda é fabricada, tal CD é mais do mesmo, leu na “Uncut” a “verdadeira” história da banda X, tal show é presunçoso, essa banda não vai durar um mês, a música não é mais como era antigamente, a molecada não sabe de nada, no meu tempo blablá… Esse é o cara que, entre o show do Jesus & Mary Chain e do Foals, escolheu o primeiro. Não sabe quem é Foals, não quer saber e cospe em quem sabe. Ele lê blogs de música, mas diz que é só para falar mal. Prefere comprar CD nas lojas, mas na verdade ainda não aprendeu a baixar mp3. Freqüenta shows de bandas ressuscitadas ou vai a discotecagens de integrantes de bandas ressuscitadas. De tão contra o indie, o indie-contestador acaba virando um indie-mor, um outro tipo de indie xiita (percebe para onde vão os tentáculos do indie?). Gosta de hip hop africano, metal árabe, e rádios neo-zeolandesas.
* o indie-publiça: galera publicitária e cheia da grana que dá (quase) a volta ao mundo correndo atrás de shows. Porque eles podem. E porque entre um cruzeiro nas Ilhas Gregas e uma passagem para ver Franz Ferdinand no clubinho The End em Londres, o último é muito mais interessante. A festa quinzenal Party Intima (no bar Audio Delicatessen) está cheio deles. É indie-coisa-fina.
* o indie-geek: ele sabe de todas as baladas, de todas as festas, de todas as estréias no cinema e de todos os novos torrents do dia. Assina todos os blogs que vê pela frente e é um poço de links: de vídeos bizarros no YouTube a links em primeira mão para todos os CDs que vazaram no minuto. Apesar de tudo isso, ou por causa de tudo isso, sai pouco. Quando sai. Bem mais “humilde” que o indie-publiça, na maioria das vezes não tem dinheiro para tanto festival acumulado, mas se contenta em ver tudo pelo YouTube alheio ou pelas coberturas do Twitter. É aquele que só faz mixtape para namorada se for via Rapidshare. Aliás, os dois só se encontram no MSN. Mesmo que trabalhem na mesma sala. O indie-geek adora com a mesma intensidade o seriado “Battlestar Galactica” e o DJ Yoda.
* o indie-fashionista: nem só de eletrônico vive o povo da moda, Brasil! Das trilhas dos desfiles às pistas fervidas, o indie bombou remixado. A pista só não vira passarela porque não tem espaço. Os indies-fashionistas se produzem como se cada passo fosse um flash. Como se cada DJ fosse um paparazzo. Carão, cabelão, glamour, montação, salto alto e pegação. A festa VAI, no Gloria, que o diga. O pretinho básico não é recomendado.
* o indie-carimbó: ele abomina a lambada, mas requebra o quadril ao som da banda indie Do Amor, que faz uma mistura nonsense de rock + lambada + technobrega + MPB. É carimbó distorcido, quase que um Calypso encontra Los Hermanos. E atenção! O Rio de Janeiro tomou pra si o movimento e migrou “a parada” para as pistas de rock. O culpado disso tudo é o DJ hype carioca João Brasil. Dizem que a deliciosa versão lambada (aka, “Tropical Remix”) que ele fez para “Left Behind” do CSS coloca fogo na pista. Já foi nas explosivas Festa Calzone, que costuma rolar em Botafogo?
* o indie-festa: é trabalhador, responsável, mas… bebe até cair, sai todos os dias, vai para o trampo direto da balada, se joga no karaokê rock, adora bancar o DJ nas festas dos amigos, abraça geral e adora demonstrações públicas de afeto. Um fanfarrão. Dá uma espiada na festa Funhell da Funhouse ou na picape da festa CREW do Gloria. Sim, a festa pega dentro da picape mesmo.
* o indie-porra-lôca: ele simplesmente extrapolou na fase indie-festa. Faz todas as coisas acima, mas nunca sabe quando parar. Adora palavrões, barraco e rock n rolllll garageiro. Dança fazendo chifrinho com as mãos, fazendo air guitar. Desceu a Augusta, passou pelo Inferno, caiu na OUTS, entalou no banheiro e por aí vai. Lê o blog do Finatti.
* o indie-celebrity-stalker: não costuma sair muito de casa, mas se ele souber do menor boato que a banda X vai ao lugar Y, ele corre. Atravessa a cidade para encontrar o Michael Stipe na pista e fingir que não sabe que é o Michael Stipe na pista. Música aqui é o de menos. O que vale é dançar com a Madonna, dividir a champagne com o MGMT ou segurar a porta do banheiro pro Michel Gondry. O indie-stalker se deslumbra, mas mantém a pose. Não tira fotos e prefere fazer a íntima. Solta um “bye Michael!” no final. Freqüenta – se estiver na lista, claro – o “Bar Secreto”, o bar que continua “sem nome”, mas já não é mais secreto.
Nenhuma Linha no Horizonte
Um título um tanto quanto pessimista para um disco do U2, não acham?
Mas “No Line On The Horizon” é sim o título do disco, que chega em março, segundo a Universal.
Daniel Lanois disse que o disco vai revolucionar o rock. Muito medo desta afirmação, mesmo porque depois disso já se espera muito do trabalho.
Deixando isto tudo de lado, se eles seguirem a trajetória dos dois últimos, não vão revolucionar nada, mas farão mais algumas belas canções.
Cinquentão
Eu sei que é só pegar o calendário e somar, porque a matemática não falha, mas confesso que fiquei um pouco chocado hoje quando descobri que Mike Mills, do R.E.M. fez 50 anos esta semana.
Little Joy no Brasil
Olha as datas:
27/01 – Porto Alegre
Local: Bar Opinião
28/01 – São Paulo
Local: Clash Club
30/01 – Belo Horizonte
Local: Festival Freegels
06/01 – Rio de Janeiro
Local: Circo Voador
Cláudia Leitte, poetisa
Eu juro que não tinha ficado sabendo disso. Segundo o G1, Leitte escreveu um poema para sua sobrinha, em abril, e mandou para a imprensa. Desnecessário tecer qualquer comentário acerca da qualidade do dito cujo.
Vamos a ele:
“NON OMNE QUOD LICET HONESTUM EST.”
Gosto de criancas.
Tem aquelas mais espertas, as quietas.
Ateh as mais sapecas sempre dao paz.
Criancas sem dentes,
Criancas que riem,
Criancas na praia,
Criancas nao sao iguais.
Seus sorrisos sao verdadeiros
Em suas mentiras nao ha desespero
Sao soh fantasias,
Ou medo dos pais
Uma crianca eh como uma estrela
Estamos no ceu se podemos te-la
Olhamos para o ceu se queremos ve-la.
E lhe ensinamos:
A soltar pipas,
Fazer rimas,
Ou um barco, se nao gostar de rimar.
“Vah a escola,
Coma sua merenda,
Sonhe!
Aprenda!
Porque quem sonha alimenta o futuro,
Pode ateh temer o escuro,
Mas sabe que tudo pode superar.”
Crianca brinca o dia inteiro.
“Volte pra casa, menino, entre logo no chuveiro
Depois vah se alimentar…”
“Se nao comer, nao brinca,
Se nao estudar, nao vai ao aniversario da Julia.
Se voce errou, nao minta.
O que voce fez assuma.”
A educacao, o cuidado.
O amor, o preparo.
Privilegios para poucos,
Anseios dos “loucos”?
Pipa, Papel.
Hein?
Barco.
“Nao, Senhor, eu fugi de trem.”
Escola?
“Ah! Merenda.”
Se comer, apanha!
Quer viver, aprenda!
Aprenda logo a roubar.”
Quantos anos voce tem?
“Aqui eh terra de ninguem,
Nao tem aniversario,
Mas eu pratico o conto do vigario,
quer que eu te ensine tambem?”
Nao ha respeito.
Nao ha lei.
Todo dia uma crianca morre,
Ninguem diz: “eu matei”.
Pedofilos, Parasitas, Patifes
e ateh um bando de Politicos.
Baratas, Barbeiros e outros mosquitos.
Uns repousam sobre as feridas e as remelas,
outros trazem febre, que nao importa se eh amarela,
fazem a crianca colorida, acinzentar.
Barrigas grandes de vermes,
Braços pequenos carregando armas.
O menino que nao sabe se defender,
Aprende que tem que matar para nao morrer.
Silencio de um povo que segue
Porque o seu umbigo eh a piscina onde se nada.
Nada. None!
Todo dia uma criança some.
Nada! E mais Nada!
Todo dia tem uma violentada!
Ninguem faz absolutamente nada!
Ninguém eh suficientemente homem.
A gente se senta e come
Enquanto a criança eh enterrada!
Umas são espancadas,
Outras caem de um arranha-ceu
Uma família eh indiciada,
A outra experimenta do mais amargo e puro fel.
Minta, chore, mas corra.
“Ei, menina, não conte a ninguém,
Ao que eu disser, diga: amem
Essa eh a lei, ou então morra.”
E o silencio sempre reverbera.
Nesse mundo onde a beleza impera,
Nao tem espaco para a crianca sonhar.
E a gente que nao eh crianca,
Nem pensar em cochilar!
Pedir a Deus pra nao nos deixar sentir a dor da mae de Isabella,
Acreditar na historia da Cinderela
E continuar a caminhar.
Se “nem tudo que eh licito eh honesto”,
Apenas a confianca no PAI nos ajuda com o resto.
Carnaval chegando
Que tal você aprender a fazer seu próprio hit-axé-do-verão?


