Rodrigo James

Harder, faster, improved

Milton, jazz e Ouro Preto

Fui a Ouro Preto no fim de semana para mais uma edição do Tudo é Jazz. O festival sempre é muito bacana, a cidade fica cheia e tal. E a parte boa pára por aí.

Impressionante como Ouro Preto não sabe receber turistas. As pessoas são despreparadas e desde o garçom dos restaurantes aos donos de pousadas, passando por quem vende água no meio da rua, o provincianismo reina e ninguém se preocupa com o bem estar de quem visita a cidade. Não é em vão que dois dos grandes eventos da cidade em outros tempos – Festival de Inverno e Festa do 12 de outubro – hoje são meros simulacros do que já foram.

Mas voltando ao festival, vale a pena falar do encerramento, com a Orquestra Sinfônica de MG fazendo uma homenagem a Milton Nascimento, e depois o show do próprio. A Orquestra até que não mandou mal (a não ser pelos arranjos, que muita gente achou de gosto duvidoso). O problema veio depois. Os cantores mineiros que prestaram a tal homenagem a Bituca tentaram mas não conseguiram atrair a atenção. Nem mesmo Marina Machado fez bonito, desafinando “Paula & Bebeto” em vários momentos (mas porque cargas d’água ela aceitou cantar aquela canção, algumas oitavas acima de seu tom?).

E aí veio Milton. Impressionante e emocionante ver como a voz do homem ainda está intacta. Quando ele canta clássicos como “Encontros e Despedidas” é de ficar com os olhos cheios de lágrimas. E aí vieram as participações especiais de Wayne Shorter (que tocou com a banda praticamente o show inteiro) e Ron Carter (a elegância em pessoa). Que os dois são alguns dos músicos mais sensacionais do mundo, ninguém duvida. Mas ali na praça Tiradentes, com o público cansado depois de horas de espera, soaram um pouco fora do lugar as longas improvisações jazzísticas. Mas tudo bem, tá valendo, são os caras e a gente desculpa.

No mais, bons papos, bons encontros e um fim de semana agradável.

segunda-feira, setembro 15, 2008 - Posted by | musica, viagens

3 Comentários »

  1. James, boa sua reclamação sobre o atendimento amador aos turistas em Ouro Preto. Com sua descrição acerca do Tudo é jazz, imaginei-me lá, ouvindo a orquestra, Milton Nascimento e Marina Machado. A respeito de Marina, observei que você disse que ela desafinou. Não acompanho a história dela, mas já a vi em alguns programas mineiros, penso que um desses foi o Alto-Falante. Percebi que ela tem uma ótima relação com Milton (faz show com ele) e com os Pato Fus. Inclusive, corrija-me se estou enganado, John Ulhoa parece ter produzido seu disco? Machado tem amigos consagrados da música brasileira, espero que ela se consagre também. Torço para o destaque dos músicos e artistas mineiros, sei que há grandes artistas aqui. Porém, percebi, em algumas apresentações, na TV, que é uma garota meiga, de coração bom, muito calma, “mineiridade”, e merece conquistar seu público, imagino que já o tenha, então, aumentar o seu público. Esse jeito dela me faz torcer por seu sucesso, reconhecimento, todavia, confesso que espero mais atitude de Marina. A alma musical tem de aparecer mais. Ao redor da cantora há nomes de peso, penso que eles tenham razão ao apoiá-la. Espero que as câmeras televisivas a tenham inibido em suas apresentações.

    Comentário por warlen anarkaos | terça-feira, setembro 16, 2008 | Responder

  2. Que bom ver um comentário sobre o show de Milton Nascimento, Wayne Shorter e Ron Carter. Em 2008, o Brasil recebeu excelentes shows, destaco este em Ouro Preto e os de João Gilberto no Rio e em SP. Sobre o João Gilberto, é uma pena não podermos assisti-lo aqui, acredito que seu último show aqui tenha sido na década de 70 ou 80. Acho que o homenageado do Festival Tudo é Jazz 2009 deveria ser ele e não Michel Legrand. Seria muito bom para o Festival e para o público mineiro receber um show de um dos melhores músicos de todos os tempos.
    Sobre o atendimento aos turistas, nunca passei por algo desagradável nas poucas vezes que estive em Ouro Preto, mas o atendimento aos turistas deveria melhorar para receber mais turistas do que recebe.

    Parabéns pelo blog.

    Comentário por Túlio Macedo | terça-feira, setembro 16, 2008 | Responder

  3. Concordo com tudinho que escreveu e acrescento que o público mineiro teve a chance de assitir o encontro musical mais incrível de todos os tempos!!!!!
    Milton Nascimento, Wayne Shorter e Ron Carter são os caras!

    Comentário por Tina | quarta-feira, setembro 17, 2008 | Responder


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