Rodrigo James

Harder, faster, improved

A Vida Até Parece Uma Festa

CARTAZ TITAS

Um documentário sobre os Titãs, mostrando os bastidores e a vida dentro da banda desde o início até os dias de hoje. Cá entre nós, não tinha como não dar errado. E não só deu certo, como o filme é bem melhor do que eu imaginava.

Por vários motivos, Em primeiro lugar, o material. Porque caso você não saiba ou tenha perdido esta parte da história, os Titãs foram uma das 3 principais bandas de pop/rock do país nascidas nos anos 80 e que construiu uma carreira digna. As outras duas? Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. Não incluo aí o RPM porque foi um sucesso efêmero. O resto, por mais que a gente goste, esteve sempre um degrau ou vários abaixo. Porque ninguém faz uma sequência de discos como “Cabeça Dinossauro”, “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” e “Õ Blesq Blom” (descontando aí o ao vivo “Go Back”) e acha que vai passar incólume pela história da música no Brasil.

Em segundo lugar, o material novamente. Mas agora, a documentação em video de tudo isto. Mais do que qualquer outro fator, este filme só foi possível porque os Titãs sempre foram documentados em programas de tv, gravações de show e, principalmente, em gravações caseiras feitas por Branco Mello desde o início da banda. Sendo assim, vemos na tela inúmeras reuniões, gravações de discos, farras em camarins, hotéis, as famílias reunidas e todos os grandes momentos da banda, vistos sob a ótica deles próprios. E tudo está lá. Desde as prisões por drogas e as saídas de Arnaldo Antunes e Nando Reis (a segunda bem mais traumática do que a primeira) até o grande divisor de águas na história da banda: a morte de Marcelo Fromer, em 2001. Fica muito claro que este episódio acabou com a banda. Claro que ela existe até hoje, mas a alegria de estar dentro dela parece ter acabado. Ao final do filme, um amigo comentou: “achei o final do filme chato”. Eu completei: “não é o final do filme que é chato. A banda é chata no final”. É visível que eles não tem mais a mesma vontade e alegria de estar em cima de um palco hoje.

Em terceiro lugar, a montagem do material. O trabalho da dupla que dirigiu o filme – Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves – é primoroso. Edição, linha do tempo, passagens, tudo funciona às mil maravilhas. E ninguém melhor do que um fã da banda (segundo o próprio, em entrevista ao Alto-falante, ele estava no show da Lira Paulistana que aparece no filme como uma espécie de marco Zero da banda), como Oscar Rodrigues, para co-dirigir o filme. Diretor de vários clipes da banda, dentre eles o lindo “Epitáfio”, Oscar já vinha alinhavando isto com a banda há um tempo. Some-se a isto um tratamento de audio de primeiríssima qualidade e o resultado é deslumbrante.

São poucos os rockumentários brasileiros. “Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa” não só vem para preencher a lacuna, como salta para o topo da lista. Um retrato honesto de uma das grandes bandas brasileiras, em todos os tempos.

terça-feira, janeiro 27, 2009 - Posted by | cinema, cultura pop, musica

1 Comentário »

  1. Mas e o Barão? Será que o Barão não entraria no mesmo balaio de Legião, Paralamas e Titãs? Na sua opinião o Barão realmente estaria em um degrau abaixo?

    Comentário por Ewerton Martins | quarta-feira, fevereiro 4, 2009 | Responder


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